M�dia
Paulo Bernardo: o prazo acabou - Artigo de Altamiro Borges
Publicado em 27.12.11 – Por Altamiro Borges, em seu blog.
No
final de abril, representantes de 20 entidades que lutam pela
democratização da mídia tiveram uma audiência, de quase duas horas, com o
ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, em Brasília. Na ocasião, ele
se comprometeu a apresentar um projeto sobre novo marco regulatório do
setor para consulta pública. Mas quando? – perguntaram os presentes. “No
segundo semestre”.
Quando? – insistiram. “O segundo semestre
começa em 1º de julho e vai até 31 de dezembro”, respondeu o ministro,
no seu jeito brusco de ser. Pois bem. O ano está terminando, vários
ministros já estão em recesso e até agora o projeto não foi apresentado.
O que houve? O ministro arquivou a promessa? Rendeu-se aos barões da
mídia, que infernizaram o governo durante todo o ano?
Um diálogo frustrado
A
audiência de abril foi a primeira reunião oficial de um ministro desta
área estratégica com os movimentos do setor, fato inédito que sinalizava
uma postura mais aberta ao diálogo. Com autonomia e unidade, as
entidades criticaram a demora na apresentação do projeto do novo marco
regulatório da comunicação e os sinais de “privatização” do Plano
Nacional de Banda Larga (PNBL).
Paulo Bernardo, cortante nas
respostas, ouviu atentamente, fez anotações e não fugiu às polêmicas.
Quanto ao PNBL, ele relatou a reunião que acabara de fazer com a
presidenta Dilma Rousseff, na qual “também levei uma bronca”. Ele
prometeu melhorar o plano, o que não ocorreu nos meses posteriores.
Muito pelo contrário. As poderosas teles é que venceram a queda de
braço!
A ausência de convicções
Já
no que se refere ao novo marco regulatório das comunicações, Paulo
Bernardo informou que o projeto elaborado pela equipe do ex-ministro
Franklin Martins estava na fase final de análise e garantiu que o
governo Dilma colocaria o tema em discussão na sociedade “no segundo
semestre”. Já na ocasião, o ministro não demonstrou muita convicção –
daí a insistência dos presentes.
Paulo Bernardo colocou uma série
de empecilhos para este debate estratégico. Argumentou que a regulação
da mídia “será uma briga longa e difícil”, que os monopólios midiáticos
tentarão rotular a iniciativa como “censura” e abordou as dificuldades
para se conquistar “uma maioria no Congresso Nacional”. Mesmo assim,
garantiu: “O governo está decidido a provocar este debate”.
Mesa de diálogo descartada
Na
mesma audiência, o ministro manifestou apoio à idéia da constituição de
uma mesa permanente de diálogo com as entidades que lutam pela
democratização da mídia. O Ministério das Comunicações chegou até a
marcar sua primeira reunião, mas desmarcou na última hora – quando as
passagens inclusive já estavam compradas. Um baque, uma enorme
frustração!
Especulou-se que o ministro não gostara das críticas
que ouvira durante o II Encontro dos Blogueiros Progressistas, realizado
em junho, em Brasília, e nem do ato público, organizado pela
Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), no bojo da campanha “A banda
larga é um direito seu”. Para um ex-sindicalista, acostumado às duras
negociações, ele se mostrou pouco flexível - para dizer o mínimo!
Intensificar a pressão das ruas
Agora,
encerrado o ano e sem que a sua promessa sobre a consulta do marco
regulatório tenha sido cumprida, observa-se que o ministro estava mais
afeito às conversas com os empresários – sejam os “capitalistas” das
teles ou os “latifundiários” da radiodifusão. Infelizmente, Paulo
Bernardo frustrou as expectativas dos que acreditavam numa nova postura
do governo nesta área estratégica.
Só mesmo com forte pressão,
que ganhe as ruas de todo o país com grandes manifestações, será
possível avançar na conquista da verdadeira liberdade de expressão e do
direito à comunicação no Brasil. Do atual governo, do qual o ministro
Paulo Bernardo segue as ordens, não haverá novo marco regulatório das
comunicações. A ditadura da mídia manterá seu poder golpista!
Núcleo
Piratininga
de Comunicação
—
Voltar —
Topo
—
Imprimir
|