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Virada digital
As nossas esperanças estão depositadas nos hackers. Os bancos que se cuidem
Publicado em 21.12.11 - Por Silvio Mieli*, na edição 459 do Brasil de Fato
A
luta contra o poder corporativo está se deslocando cada vez mais para a
esfera digital da internet. E se empresas como a gigante Monsanto olham
para o mundo como se fosse um imenso banco de dados à sua disposição, a
resposta tem que ser dada na mesma moeda.
Com esse espírito, os
Anonymous (coletivo descentralizado que atua principalmente através da
prática hacker), devastaram o site e a base de dados da agência Bivings
Group, uma empresa de relações públicas sediada em Washington, cujo
objetivo era desenvolver programas de marketing para grandes
corporações, principalmente para a Monsanto.
“A operação ‘acabar
com a Monsanto’ está de pé e operante (...) Primeira vítima: a empresa
Bivings”, dizia o comunicado dos Anonymous, inicialmente publicado no
site pastbin (http://bit.ly/umDY9D) no dia 5 de dezembro.
O site
do Bivings Group foi desfigurado e seu respectivo banco de dados
invadido, o que franqueou aos Anonymous fazerem uma cópia de todo o seu
conteúdo. Centenas de emails foram rastreados e a data-base relativa à
Monsanto copiada. São informações preciosas de como a transnacional atua
no front do marketing e das relações púbicas. Como desdobramento direto
ou indireto do impacto do ataque, o grupo Bivings fechou as portas
temporariamente e teve que mudar a sua razão social.
Em julho, os
Anonymous já tinham conseguido derrubar o site da própria Monsanto
comprometendo os emails corporativos da empresa. Na mesma ação
revelaram-se os nomes, endereços e números de telefones de 2500
empregados e associados da megacorporação. Ao reivindicarem o ataque que
atingiu um dos eixos da comunicação da Monsanto, os Anonymous, que
sempre registram suas demandas em vídeos (http:// bit.ly/tMjgr6),
denunciam os abusos corporativos da empresa e aliam-se àqueles que lutam
contra a contaminação da cadeia alimentar global pelos alimentos
geneticamente modificados.
Na introdução do livro A fábrica do
homem endividado; ensaio sobre a condição neoliberal, o filósofo
Maurício Lazzarato destaca, logo na introdução, a necessidade de nos
aventurarmos em território inimigo e procurarmos construir algum tipo de
arma que nos servirá para conduzir as lutas que se anunciam. Neste
quesito, as nossas esperanças estão depositadas nos hackers. Os bancos
que se cuidem.
*Silvio Mieli é jornalista e professor universitário.
Núcleo
Piratininga
de Comunicação
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