A "vida útil" dos escravos que viviam na época de Zumbi dos Palmares (1655-1695) e trabalhavam nas lavouras de cana era de 20 anos. Hoje, os trabalhadores dos frigoríficos do Rio Grande do Sul têm uma "vida útil" em média é de apenas cinco anos. Em cinco anos estão destruídos, acabados. O estudo da CNTA feito no ano passado e publicado agora mostra que 77,5% dos trabalhadores da indústria da carne sofrem de alguma doença relacionada ao trabalho. 96% precisam tomar medicação para suportar a dor.
Mais: 99,5% dos 640 trabalhadores entrevistados dos frigoríficos de Capão do Leão, Bagé, São Gabriel e Alegrete são empregados de um mesmo grupo: o Marfrig.
Dor por todos os lados O grupo Marfrig se orgulha de ter 151 unidades espalhadas por 22 países. É grande, sim é verdade, mas tão preocupado com a saúde e o bem estar de seus empregados, quanto os donos de escravos de séculos atrás. Prova disso é que 78% dos seus trabalhadores admitem sofrer dores constantes no corpo, principalmente nos ombros, braços, costas, pescoços e pulsos, causadas pelo esforço repetido feito por horas e horas, sem qualquer interrupção e em condições insalubres de frio externo e umidade intensa. Os principais efeitos disso se revelam fora do ambiente de trabalho, quando as mãos ficam dormentes, os braços tremem e a dor aparece ao se fazer coisas simples como abotoar a camisa ou escovar os dentes. A pesquisa revelou que ao final de um dia de trabalho 43,9% sentem um "cansaço insuportável" que afeta o sono, causa depressão e prejudica a convivência familiar. Sintomas apresentados pela pesquisa Eis alguns dos sintomas que os trabalhadores apresentam: . 24,3% têm dificuldade para abrir portas . 30,4% têm dificuldade de escovar os dentes ou pentear o cabelo . 35% deixam cair copos ou outros objetos . 61,1% sentem as mãos dormentes sem motivo . 32,5% têm dificuldade para abotoar roupas . 61,8% têm dificuldade para dormir . 51,4 % sentem tremedeiras em braços e pernas. |