M�dia
Cota para modelos?
[Publicado em 20.06.2011 - Por Carlos Maia] [Por Carlos Maia] A publicação de uma matéria da Folha de São Paulo em sua página no facebook, em 14.06, gerou mal-estar em boa parte dos internautas. O assunto era a manifestação de modelos negros por mais espaço na São Paulo Fashion Week. "Isso é absurdo, querem cotas para tudo agora?" disse um rapaz. "O Brasil está ficando muito chato", disse uma jovem indignada com os modelos. Desde muito tempo o Brasil tem dificuldade em olhar para o seu passado. Chamam de bolsa-ditadura a indenização de torturados pelo regime militar. As cotas em universidades públicas (que por direito são do povo) são consideradas esmolas e tiram o mérito do estudante (Como falar em mérito em uma sociedade tão desigual?).
O que aqueles que se colocam contra a reivindicação dos modelos que o jornal chama de protesto) se esquecem é de uma lógica do próprio mercado: O consumidor quer ser visto, ele quer se reconhecer no produto vendido. Já reparou que nas séries de TV e filmes norte-americanos sempre se vê negros, obesos, latinos e outras etnias? Lá existe a consciência de que o consumidor tem direitos e cada grupo faz pressão para estarem representados. Aqui isso é visto como "tirar o mérito" ou "preconceito ao contrário." Uma pessoa não tem o direito de visualizar em uma modelo como ficará a roupa exibida na passarela? Como comprarei algo se não tenho nenhuma identificação com o que me é oferecido? Enquanto nos Estados Unidos começavam as lutas pelos direitos civis e posteriormente a implantação das chamadas ações afirmativas aqui no Brasil nos entramos numa ditadura militar que nos tirou duas décadas de lutas por direitos fundamentais para o pleno exercício da cidadania.
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