Direitos Humanos
Aprovados os cargos para o Mecanismo contra a tortura
Publicado
em 27.04.11 – Por Paula Máiran, da Assessoria de Comunicação do
Assessoria de Comunicação - Mandato Dep. Marcelo Freixo
Acaba de ser aprovado, na tarde desta terça-feira (26/4), o
projeto de resolução que cria os cargos para a nomeação dos seis membros
escolhidos para compor o Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura.
Responsável pela fiscalização de unidades de privação de liberdade, o
órgão foi criado, em fevereiro deste ano, por força de lei aprovada e
sancionada no ano passado, de autoria do deputado estadual Marcelo
Freixo (PSOL). O Mecanismo atuará de forma autônoma, sem necessidade de
autorização prévia para entrar, a qualquer momento, em carceragens,
presídios, delegacias, manicômios e unidades socioeducativas.
"A Alerj merece parabéns por que não é fácil aprovar um projeto tão
avançado como esse, que põe o Rio de Janeiro na vanguarda nacional no
que se refere à luta contra a tortura, um crime que ainda é cometido de
forma sistemática nos porões da nossa sociedade", disse Marcelo Freixo,
depois de lembrar que há menos de um mês chegou à Comissão de Defesa dos
Direitos Humanos e Cidadania, encaminhado pela Presidência da Alerj, um
caso de tortura que foi cometida dentro de uma delegacia do Rio. "Essa
foi uma vitória histórica daqueles que lutam há décadas pelos direitos
humanos e contra a tortura. Esses lutadores merecem hoje os nossos
parabéns", lembrou Freixo.
O projeto recebeu emenda que prevê sabatina realizada pela Comissão de
Normas Internas e Proposições Externas da Alerj à qual serão submetidos
os membros do Mecanismo escolhidos pelo Comitê de Prevenção e Combate à
Tortura, já instalado. O Mecanismo vai iniciar o seu trabalho efetivo
somente após a realização dessa sabatina. O projeto foi aprovado no
mesmo dia em que a Comissão de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania
realizou audiência pública com a participação do secretário geral da
Anistia Internacional, o indiano Salil Shetty, em missão no Rio de
Janeiro. Shetty ouviu exposições sobre o tráfico de armas, do
especialista Antonio Rangel Bandeira, trabalho escravo, do padre Ricardo
Resende, e sobre milícias e a crise carcerária, estes últimos assuntos
abordados pelo próprio presidente da Comissão.
"Estruturas anacrônicas e extremamente vulneráveis à corrupção e ao
autoritarismo da segurança pública impulsionam a violência, assim como a
desigualdade e a não aceitação da desigualdade", explicou Rangel ao
secretário geral da Anistia. Shetty viu semelhanças entre as situações
do Brasil e da Índia. "Há leis boas, mas ainda não implementadas. E há
uma polarização política e social que cria uma falsa situação, como se o
Rio tivesse de escolher entre direitos humanos e segurança pública",
disse então, e fez ainda um alerta ao Rio de Janeiro: "Temos de ser
honestos em relação aos nossos potenciais e aos desafios, primeiro passo
para enfrentá-los". Participou também da audiência, pela Anistia
Internacional, o pesquisador Patrick Wilken.
Mais informações:
Paula Máiran - 7823-9506
Núcleo
Piratininga
de Comunicação
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