Trabalhadores
‘’A onda do NÂO na Fiat se estende por todo o pais
Por Gigi Malabarba (do Sinistra Critica)
Foram dezenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores metalúrgicos que se manifestaram nas praças e ruas na jornada nacional de greve decidida pela Fiom em resposta ao ataque conjunto de patrões e governo, que começou com a violenta agressão do administrador-delegado da Fiat, Marchionne, aos direitos e às condições de vida de quem trabalha.
O NÃO da planta de Pomigliano (Nápoli) antes e os NÂO ainda mais consistentes da planta de Mirafiori (Turim) foram o sinal de que, se opor à guerra de classe é possível e que vale a pena tentar, embora o isolamento perigoso ao qual foram condenados os metalúrgicos pelo conjunto das forças político-institucionais e pelos sindicatos cúmplices. Condenados também por uma CGIL que, se não pode pedir a cabeça do grupo dirigente da Fiom, devido ao resultado do voto no plebiscito da Fiat de 15/1, fez tudo o possível para impedir uma resposta geral ao ataque que atinge todo o mundo do trabalho. Ao contrário, frente à sacrosanta exigência de uma greve geral, pedida mais uma vez à plena voz em todas as manifestações, esta chegou ao cúmulo de repetir formalmente que “a greve não se decide nas praças”.
Mas a ampliação da onda começou a manifestar-se “de baixo”, através da iniciativa de alguns setores de outras categorias, inclusive com greves, seja por filiados à CGIL, quanto por sindicatos de base. Estes últimos, em sua maioria receosos de se mobilizar junto com a Fiom, mesmo quando se declararam positivamente pela greve, pouco fizeram para criar as condições de uma ação conjunta nas várias manifestações.
Mas é preciso destacar que mais do que em qualquer outra ocasião anterior, grupos de delegados e federações regionais inteiras passaram por cima da disciplina organizativa interna e uniram-se em manifestações conjuntas com a CGIL. Neste sentido foi significativa a presença de quase todas as siglas do sindicalismo de base, na manifestação de Milão, junto com outros independentes que desfilaram na passeata atrás da Fiom, enquanto seus dirigentes faziam manifestações, em número reduzido, em outros lugares.
Sobretudo, no dia 28, mais uma vez, foi a participação dos estudantes que fortaleceu as passeatas, procurando dar continuidade à jornada de manifestações estudantis do 14/12, embora um prevista diminuição das lutas depois da aprovação das reformas na Educação dos dias seguintes.
A presença de intelectuais e de outros setores menos dispostos a se colocar de maneira decisiva de um lado da barricada toda vez que o conflito põe a nu o confronto de classe, marca, esta também, o começo de uma fase de degelo. Fato que afasta, por um momento, toda a chamada “tensão democrática” que está na moda nestes ambientes que vivem na pura denúncia das estrapulias de Berlusconi, porém sem nenhum conteúdo social.
O sucesso, até na mídia, dos manifestos da “Esquerda Crítica” (SC) a favor da greve generalizada contra “Os Dois”, Marchionne e Berlusconi, faz parte desta parcial tomada de consciência. Mas, para a Fiom e para os sindicatos de base a retomada continua difícil. Auguramos que frente as dificuldades enormes para se contrapor ao ataque atual, se trabalhe para construir caminhos de participação para definir o próximo calendário de lutas, especialmente rumo à greve geral e generalizada da qual necessitamos.
Uma frente social e política de oposição, um “fórum das oposições” seria a sede mais apropriada para coordenar as forças. Até a queda de Berlusconi, rumo a um quadro mais útil aos trabalhadores e trabalhadoras, só é possível com um envolvimento geral de toda a sociedade e não somente pela mais do que justas condenações jurídicas que ele merece.
Núcleo
Piratininga
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