[Por Najla Passos] O relato de experiências bem-sucedidas no campo da comunicação popular pautou o debate realizado no início da tarde de sábado (27/11). Na mesa, exemplos de conquistas dos trabalhadores em diferentes veículos mostraram como é possível disputar a hegemonia com a mídia controlada pelo grande capital.
.
O jornalista Edo Cerri relatou a experiência do jornal do Sindicato dos Químicos de Osasco que agrada a 92% da categoria e informa a 82% dos seus leitores, conforme pesquisa qualitativa independente encomendada pela entidade. O jornalista deu especial destaque à importância da profissionalização da linguagem. “O jornal não pode ser gritado como se o dirigente estivesse em um caminhão. É preciso respeitar o projeto gráfico, o tamanho dos títulos, não se pode adjetivar os textos”, recomendou.

Anderson Engels, Valter Sanches, Paulo Dozinetti Claudia Costa e Edo Cerri
União nas ondas do Rádio
Já o jornalista Anderson Engels, da Rádio Fortaleza, de Blumenau (SC), contou como dez sindicatos do município se uniram, há três anos, para colocar essa emissora comunitária no ar, diariamente, de 6 a 22 horas, com música, jornalismo, programas de cultura, variedade, saúde, segurança e prestação de serviços. Segundo ele, os representantes dos sindicatos se reúnem de 15 em 15 dias para discutir a pauta, tocada por dois jornalistas no cotidiano, com o apoio dos moradores da cidade. “Não aceitamos apoio empresarial para não colocar em risco a independência da rádio. O apoio que buscamos é dos sindicatos. E isso é muito importante para ampliar a comunicação com os trabalhadores”.
Comunicação para a família
A jornalista e professora universitária Claudia Costa, assessora de comunicação da CSP-Conlutas, falou sobre sua experiência à frente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, onde participou da criação do jornal Metalúrgico em Família, na década de 1990. “Naquele momento, com o avanço a passos rápidos do neoliberalismo, nós percebemos que iríamos ter que enfrentar um período difícil. Em várias categorias os trabalhadores estavam absorvendo esse falso discurso da modernidade. Por isso, trabalhamos a ideia de criar um veículo de comunicação para a família do trabalhador, com matérias gerais. Um jornal que combatesse o pensamento único dominante e apresentasse uma alternativa dos trabalhadores, para auqeles e aquelas que estavam nas fábricas e para seus familiares e vizinhos. Esse jornal existe até hoje. Não é o único intrumento de comuicação que o sindicato possui, mas é mais um, na disputa da visão de mundo que precisamos fazer, todo dia e com todos os meios com a burguesia".
Revista unifica sindicatos
O jornalista Paulo Donizetti, editor da Revista do Brasil, contou que em 1992 começou a trabalhar na equipe de comunicação do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Em 1993, após pesquisar junto aos diretores como gostariam que fosse a publicação da entidade, o sindicato criou a Revista dos Bancários, que circulou 13 anos. “Eles queriam uma revista de atualidades”, disse. O primeiro editor foi Renato Rovai e, em 1995, Paulo Donizetti se tornou coordenador da secretaria de imprensa do Sindicato. Para ele, a edição da revista foi uma decisão política que permitiu que, pelo menos uma vez por mês, o Sindicato entrasse na casa dos trabalhadores para discutir assuntos que eles não encontram no trabalho e, muitas vezes, não têm acesso pela mídia convencional. Em 2006, vários sindicatos decidiram dar início ao projeto que viria a ser a Rede Brasil Atual, começando pela revista. Hoje, 60 sindicatos contribuem financeiramente para que a publicação saia. “Depois do governo, o movimento sindical hoje é a principal força social com capacidade para fazer uma comunicação independente. À medida que os sindicalistas perceberem a importância de socializar as informações com os trabalhadores a partir de notícias que eles não têm acesso, esse movimento estará prestando serviço para ajudar a mudar o Brasil. A Revista do Brasil, hoje tem uma tiragem de mais de trezentos mil exemplare/mês”.
A primeira TV dos trabalhadores
Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da CUT, Valter Sanches apresentou a experiência da TV dos Trabalhadores, inaugurada em agosto passado. “Venho de um sindicato que já descobriu há muito tempo a importância de se investir na comunicação. É claro que a comunicação mais importante, insubstituível, é o olho no olho com o filiado. Mas é necessário também fazer comunicação de massa”. Segundo ele, a luta pela concessão de um canal de TV começou em 1997. “Em 2005, conquistamos concessões de duas rádios e duas TVs. Só agora, conseguimos colocar a primeira TV no ar”. Sanches conta que a TVT possui um quadro de 102 trabalhadores que geram uma programação diária diversificada das 19h às 20h30. “A ideia é que seja uma TV que dialogue com a sociedade. Não é uma TV que pretenda concorrer com as TVs comerciais ou educativas. Mas queremos que seja um canal importante para dar voz aos movimentos sociais, que ou são esquecidos ou são tratados de forma negativa pela mídia convencional”. A TVT, hoje, pode ser vista em 11 estados brasileiros e pela internet. Mais informações em http://www.tvt.org.br/portal