[Por Claudia Santiago] Genial. Elia Suleiman deixa os espectadores de olhos arregalados o tempo todo no genial O que resta do tempo, em cartaz no Rio de Janeiro. Dividido em quatro episódios, o filme narra a história da família de Elia, em Nazaré, na Palestina, desde o ano 1948, quando se dá a brutal ocupação do norte da Palestina pelo Estado de Israel, que subjugou os antigos povos da região. Muitos se dispersaram pelos países árabes vizinhos, muitos aderiram aos novos senhores e muitos resistiram. Entre os que resistiram estavam o pai e a mãe do diretor, a quem o filme é dedicado.
O primeiro episódio trata da Nazaré de 1948; o segundo, a vida corre na Nazaré do final dos anos 1960, com direito ao noticiário sobre a morte do líder egípcio Gamal Abdel Nasser; o terceiro, os efeitos da ocupação em Nazaré com revolta da juventude. No último, a Nazaré moderna e os moderníssimos tanques e canhões de Israel, o muro e as pedras palestinas.
Fundamental ver o filme para compreender o ataque ao navio humanitário que ia à Faixa de Gaza. Fundamental para compreender desabafos como o do historiador da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Fred Galvão: “se eu não fizer nada agora para denunciar o que se passa na Palestina, vou sentir vergonha de mim; assim como os alemães sentem vergonha pelo nazismo”.
Façamos então, como diz Fred, com o que nos resta do tempo.