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G�nero
Mulheres nas revoluções, no cangaço e na abolição
Ana de Alencar Araripe (1789-1874) - Nasceu em Crato (CE). Casou-se em 1810 com Tristão Gonçalves Pereira de Alencar, filho de Bárbara de de Alencar, ambos ativistas da causa republicana. Ana participou da Revolução de 1817, insurreição que começou em Pernambuco e logo chegou a outras províncias nordestinas. Com a repressão aos rebeldes, Ana de Alencar Araripe foi levada presa para Fortaleza, juntamente com seu marido. Ao ser libertada acompanhou Tristão, que foi transferido para a cadeia da Bahia. Retornaram juntos ao Ceará quando ele foi anistiado pelo governo pós-Independência.
Bárbara Pereira de Alencar (1767-1837) Nasceu em Pernambuco e viveu na cidade do Crato (CE). Teve três filhos: Tristão Pereira Gonçalves de Alencar e os padres José Carlos dos Santos e José Martiniano de Alencar (pai do escritor José de Alencar). Envolveu-se com dois de seus filhos e um irmão na conspiração republicana deflagrada no Nordeste em março de 1817. Foi presa na cadeia da vila de Fortaleza, em um cubículo minúsculo, onde não podia sequer levantar-se. Em 1820, veio de Portugal a sentença que os libertou, concedendo anistia geral a todos os implicados na revolta.
Dadá (1915 -1940) - A cangaceira Sérgia Ribeiro da Silva nasceu na cidade de Belém do São Francisco (PE) em 1915. Corisco, primo distante de Dadá, já cangaceiro, em 1927 levou-a como companheira. (...) Ao trazer Maria Bonita para o bando, Lampião admitiu a presença feminina, permitindo que Corisco também trouxesse Dadá. Morena cor de canela, cabelos pretos, forte, estrutura em torno de 1,70m, valente e desconfiada, Dadá era admirada pelos companheiros com tal intensidade que um chefe de grupo certa vez disse: “Dadá vale mais do que muito gangaceiro”. Dadá foi a primeira e única mulher dos grupos cangaceiros a portar fuzil.
Francisca Clotilde (1862-1935) Nasceu em São João dos Inhamuns, atualmente Tauá (CE), em 1862. Na década de 1880, colaborou com o jornal científico e literário “A evolução”, além das revistas “A Quinzena” e “ O Libertador”, sob o pseudônimo de Jane Davy. Participou do movimento pioneiro de libertação dos escravos no Ceará, integrando a sociedade abolicionista Cearenses Libertadoras, compostas somente por mulheres e presidida por Maria Tomásia.
Jovita Feitosa (1849-67) - Foi voluntária nas tropas brasileiras durante a Guerra do Paraguai. Nasceu na localidade de Jaicós (PI). Aos 18 anos, ingressou no 2° Corpo de Voluntários da Pátria, assumindo o posto de segundo-sargento. Não há consenso quanto ao local onde nasceu. O jornal Diário da Bahia, na edição de 5 de setembro de 1865, diz que ela teria nascido em Inhamuns, no Ceará. (...) O escritor gaúcho Assis Brasil escreveu um romance histórico sobre sua vida: Jovita - missão trágica no Paraguai (1993). A editora apresenta o livro: “Humilhada e prostituída, vidente e guerreira, Jovita ressurge de página esquecida da História pelas mãos mágicas do romancista. Como Joana D´Arc, acredita num sonho e parte para aguerra, morrendo queimada no holocausto de Acosta Nu”.
Maria Tomásia (1826-1902?) - Nasceu em 1826 em Sobral (CE). Era uma mulher enérgica, hábil articuladora política e excelente oradora, embora não tivesse muitos estudos. Dedicou-se de corpo e alma à luta pela abolição, participando, em dezembro de 1882, da fundação da Sociedade das Cearenses Libertadoras. Ao término dessa reunião, concederam 12 cartas de alforria como símbolo do início das atividades da entidade. Maria Tomásia participou com vários presidente de sociedades libertadoras de uma comitiva que pecorreu diversos povoados libertando escravos. No dia 25 de março de 1884, na Assembléia Legislativa, foi realizado o ato de libertação de todos os escravos do Ceará. Maria Tomásia estava presente à cerimônia.Fonte: Verbetes (reduzidos pela redação) do Dicionário Mulheres do Brasil |
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