Direitos Humanos Policias serão julgados pela morte de cinco jovens em Niterói
Foto: Raquel Júnia
[Por Raquel Júnia] Numa grande faixa branca
segurada por dois moradores do Morro do Estado, em Niterói, estavam escritos os
nomes dos cincos jovens mortos pela polícia no Morro. Ao lado, a frase: “1.130
dias esperando justiça”. Esta é uma das cenas da manifestação que os moradores
do Morro do Estado fizeram no dia 24 de julho, em frente ao fórum da cidade.
Para o dia 28, próxima terça-feira, mais de três anos depois da chacina, está
marcado o julgamento dos quatro policiais acusados por homicídio qualificado. O
julgamento será às 13h.
“A minha dor é muito grande, eu tenho mais cinco filhos, mas esse filho que
morreu me faz muita falta. Ele não senta mais à mesa para jantar junto aos
outros irmãos. Ele jogava futebol, estudava. O meu filho não era filho de
chocadeira não”, desabafou ao microfone, bastante emocionada, Fernanda de
Oliveira, mãe de Wellington Santiago de Oliveira, o mais novo dos jovens
assassinados no caso que ficou conhecido como “Chacina do Morro do Estado”. O
garoto tinha apenas 11 anos.
Crime
apresenta provas de que os jovens foram executados
Os jovens Wellington
Santiago de Oliveira (11), Luciano Rocha Tavares (12), Edimilson dos Santos
Conceição (15), José Maicom dos Santos Fragoso (16) e Wedsom da Conceição (24) foram mortos no dia três de
dezembro de 2005.
Policiais do 12° batalhão, então sob comando do Coronel Marcus Jardim, subiram
o morro na noite do dia três e são acusados de executarem os jovens e tentarem
alterar a cena do crime. Os réus alegam ter tentado prestar socorro às vítimas.
São quatro os policiais acusados: Antonio Carlos Miranda, Wanderson Soares
Nunes, José Francisco de Araújo Júnior e José Roberto Primo Domingos.
Na ocasião, a perícia no local constatou que não houve troca de tiros, já que
as marcas das balas se concentravam apenas nas imediações onde se posicionavam
os jovens quando morreram. Além disso, algumas das lesões nos corpos das
vítimas foram consideradas “lesões de defesa”. Um dos jovens, por exemplo,
tinha uma marca de tiro na mão esquerda, o gesto indica que o garoto
provavelmente encobriu o rosto numa atitude espontânea de proteção. O laudo
também confirmou que os disparos foram feitos a curta distância, o que
representa um forte indício de execução.
“Vocês que estão sentados aí nessas cadeiras, que
tem o grau para estarem aí, que estudaram para isso, por favor, façam valer o
trabalho de vocês”, cobrou a mãe de um dos jovens, Fernanda de Oliveira, se
dirigindo ao Fórum de Niterói.