M�dia O desafio da Conferência Nacional de Comunicação
Após
intensa pressão dos movimentos sociais, o presidente Lula finalmente convocou a
primeira Conferência Nacional de Comunicação. Foi preciso dobrar a resistência
dos barões da mídia, que manipulam corações e mentes de milhões de brasileiros,
possuem expressiva e ativa bancada de senadores e deputados e estão infiltrados
no próprio Palácio do Planalto, através do ministro das Comunicações – ou
melhor, ministro da TV Globo –, Hélio Costa.
A conferência está marcada para os
dias 1, 2 e 3 de dezembro e será precedida pelas etapas municipais e estaduais,
a partir de julho. Será a primeira oportunidade na história do país para a
sociedade debater o papel da mídia.
Do
ponto de vista do sindicalismo, não há dúvidas de que a mídia existente no país
não serve à democracia e nem à luta dos trabalhadores. Ela vive desinformando a
população, criminalizando os movimentos sociais e atacando os direitos
trabalhistas. Qualquer ação sindical é tratada como “bagunça”, como fator de “caos
no trânsito”. As leis trabalhistas são encaradas como privilégios; a
previdência social é apontada como “gastança”; os sindicatos são rotulados de
“corporativos e atrasados”.
A mídia hegemônica serve aos interesses do grande
capital. Atualmente, ela ocupa o papel do “partido da direita”, atacando as
lutas sociais e os governos minimamente progressistas.
Diante
deste quadro, a Conferência Nacional de Comunicação ganha enorme importância. Esta será a oportunidade
para apresentar propostas concretas para a democratização da mídia. Medidas
como a do fortalecimento da rede pública, a da revisão dos critérios de
concessão às empresas privadas, a do incentivo às rádios comunitárias e aos
veículos alternativos ou a do estímulo à inclusão digital estarão na pauta
desta conferência.
A ditadura midiática, que fez de tudo para evitar a
conferência, agora tentará evitar as mudanças mais profundas neste setor. Não
dá para vacilar nesta batalha de caráter estratégico.
Com
esta visão, o Portal Vermelho, com o apoio do Sindicato dos Engenheiros e da
Fundação Maurício Grabois, realizará nos dias 27 e 28 de junho o seminário
“Propostas concretas para a democratização da comunicação”. O evento terá a
presença dos mais renomados especialistas no tema. Além de discutir as medidas
para o enfrentamento da ditadura midiática, ele abordará as experiências
recentes em outros países do continente, que também padecem do mesmo mal. O
objetivo do seminário é ajudar na construção de uma plataforma de propostas que
sirvam para municiar os ativistas dos movimentos sociais nas conferências
municipais, estadual e nacional.