Direitos Humanos
No Brasil, política de extermínio virou política de Estado
Por Sheila Jacob
No Tribunal Popular,
realizado em
São Paulo de 4 a
6 de dezembro de 2008, o Estado brasileiro esteve no banco dos réus e foi
condenado por unanimidade. Na edição de 11 a
17 de dezembro de 2008, o jornal Brasil
de Fato deu destaque ao julgamento. Com o título Estado brasileiro extermina juventude negra e pobre, a matéria de
capa anuncia o veredicto culpado dado
ao final do Tribunal.
Foram julgados quatro casos emblemáticos de violação aos direitos humanos:
- operações militares no Complexo do Alemão (Rio de Janeiro), em 2007;
- sistema carcerário e execuções de jovens negros na Bahia;
- execuções na periferia de São Paulo, em maio de 2006; e
- criminalização dos movimentos sindicais, de luta pela terra, pelos
direitos indígenas e quilombolas (Rio Grande do Sul).
Confira alguns trechos da matéria divulgada pelo jornal Brasil de Fato:
Está em curso no Brasil
uma política deliberada de extermínio da população pobre, de trabalhadores
jovens e honestos, cujo imperdoável crime é portar “cor errada” de pele, viver
no “lado errado” das grandes cidades e ter uma baixa ou quase inexistente
capacidade de consumo. (editorial)
Os números não enganam:
são 50 mil mortes por ano, mais de 100 por dia, segundo dados oficiais, como
resultado de tiroteios e confrontos violentos com a polícia. (editorial)
Nenhuma investigação (das
mortes causadas por policiais) é feita, a
não ser da vida pregressa da vítima para, caso se encontre alguma passagem pela
FEBEM ou sistema prisional, a execução sumária dessa pessoa esteja justificada.
De 12 a 20 de maio, 493 pessoas foram
assassinadas em São Paulo por armas de fogo, segundo
informações do Conselho Regional de Medicina (Cremesp).
(o Brasil
de Fato lembra o episódio conhecido como “Crimes de Maio”, mortes
decorrentes de ações da polícia de São Paulo contra os ataques da organização
criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC, em maio de 2006. O PCC foi
responsável pela morte de 47 pessoas).
A lógica é: somos
negros, somos pobres, devemos morrer. Somos agredidos por quem deveria nos dar
segurança. Nos sentimos muito violados. (Depoimento de Lúcia, moradora do Complexo do Alemão)
Ninguém se comove quando
o corpo que está no chão é negro. Corpo negro no chão não gera comoção em ninguém.
(Lio N´Zumbi, da
Associação de Familiares e Amigos de Presos e Presas da Bahia, acusador da
sessão).
A tentativa de dissolver
o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Rio Grande do Sul, foi
apenas mais uma ofensiva do Estado, que persegue os trabalhadores rurais há
muito tempo. Ele (Gilmar Mauro, da coordenação do MST) lembrou os casos da chacina de Eldorado dos
Carajás (PA), em 1996, do Massacre de Camarazal (PE), em 1997, e ainda casos
mais recentes, como o assassinato de Valmir Mota de Oliveira, o Keno, no ano
passado, morto por seguranças da transnacional Syngenta, no Paraná.
A matéria completa sobre o Tribunal pode ser conferida em: www.brasildefato.com.br/v01/impresso/anteriores/jornal.2008-12-27.5150883152
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