Radiografia
15.06.08 - ADUFF:Revista Classe -
O primeiro número da Revista Classe foi lançado em maio deste ano pela Associação de Docentes da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Na edição, reportagem sobre o grupo de hip-hop Lutarmada, sobre o Reuni (projeto do governo federal de reestruturação das universidades públicas), entrevista de capa com o fotógrafo Evandro Teixeira e a seção Diálogos com a cidade, entre muitos outros assuntos.
Como surgiu a idéia da revista? A idéia da revista surgiu porque o jornal mensal que temos é um espaço limitado para discussões sobre cultura, para artigos de colaboradores que podem aprofundar temas diversos, para uma discussão sobre problemas da cidade. A proposta surgiu aqui da própria imprensa da ADUFF, ainda na gestão anterior, quando Sonia Lucio era presidente e o Marcelo Badaró o diretor de Imprensa.
Qual é a linha editorial da Classe? A proposta é discutir sempre uma análise do movimento do capital transnacional, seus desdobramentos para educação e universidade. É discutir como, através da cultura, podemos pensar o capital e a luta de classes sempre do ponto de vista da classe trabalhadora. É, ainda, abrir um espaço para práticas culturais que não estão na grande mídia. Como foi definida a pauta desse primeiro número? A quem ela se destina? Basicamente aos professores da UFF e entidades e companheiros combativos Como foi a resposta desse público? Foi excelente. Todo mundo gostou muito do conteúdo e da forma porque ela é pequenininha e diferente. Trabalhamos com muitas imagens. Ficou bem bonita mesmo. E a nossa pequeníssima equipe ralou muito para isso, foi um trabalho coletivo que envolveu não só a mim, mas a Carol que é estagiária, o Camilo que diagramou, o Luiz que fotografou também. Enfim, foi um processo árduo, mas que nos trouxe muita alegria e contamos com total apoio da gestão anterior, o que nos fortaleceu para concluir o trabalho. Estão preparando um próximo número? Temos a pauta, temos a vontade. Essa diretoria nova demonstra que quer continuar, mas não sei, ainda, sobre como manteremos a periodicidade. Na minha opinião, deveria continuar com a idéia de ser trimestral. Mas a ADUFF hoje enfrenta também um problema financeiro por conta de uma ação do governo que diminuiu a arrecadação da entidade. A conjuntura não está favorável. Contudo, continuo achando que se um sindicato não prioriza seus veículos de comunicação e discussão política, fica difícil levar a luta. Vamos torcer... A ADUFF possui outros meios de comunicação? Temos um jornal mensal, boletins eletrônicos e nossa página eletrônica. Temos agora a revista que, espero, tenha vida longa. Por conta da luta na UFF contra o REUNI a revista acabou saindo na atual gestão, e no trimestre maio, junho e julho. Seu lançamento aconteceu em plena comemoração de maio de 68. Se olharmos para a revista veremos que a maioria das matérias, de uma forma ou de outra, é atravessada por essa discussão. A capa foi justamente a entrevista com o fotógrafo Evandro Teixeira e os 40 anos de sua famosa foto da passeata dos 100 mil.
Como nos interessa estar pensando sempre a UFF, desdobramos para os professores da UFF que estiveram na passeata. Para análise do capital, corremos atrás da entrevista com a Naomi Klein e seu excelente livro "The shock doctrine", que foi recentemente lançado aqui no Brasil, batemos juntinho nisso e foi muito bom. Trouxemos para esse primeiro número companheiros amados do campo da arte combativa como o pessoal da Cia do Latão, Cia Filhos da Mãe...Terra, Cia Emergência teatral, o Gas-PA, enfim, um povo que, cada um a seu modo, pensa a arte como forma de luta à serviço da classe trabalhadora. Além disso, na seção Diálogos sobre a Cidade, por exemplo, quem passa pela praia, em Niterói, cruza com os trabalhadores que catam mexilhões e suas dificuldades. Achamos que entrevistá-los seria um bom começo para nossa seção que pretende mesmo dialogar com a cidade, mas sempre do ponto de vista dos trabalhadores.
Os problemas da Universidade são também nossa prioridade, claro e o REUNI a política do governo que estamos combatendo nesse campo. Enfim, são pautas que desdobram nossa linha editorial. “Todo mundo gostou muito do conteúdo e da forma porque ela é pequenininha e diferente. Trabalhamos com muitas imagens. Ficou bem bonita mesmo”, conta Stela Caputo, jornalista responsável pela Classe. Confira a entrevista.
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