Menu NPC
 
 Conheça o NPC
 Quem somos
 O que queremos
 O que fazemos
 Equipe
 Fotos do NPC
 Fale conosco
 Serviços do NPC
 Cursos
 Palestras
 Agenda
 Clipping Alternativo
 Publicações
 Livros
 Cartilhas
 Apostilas
 Agendas Anuais
 Nossos Jornais
 Dicas do NPC
 Dicionário de Politiquês
 Leituras
 Documentos
 Músicas
 Links
 
 
Comunicação Alternativa
Projeto Aula de Cidadania foca realidade indígena

                                               Por Ângela Kempfer

O espaço para o debate foi aberto dentro das salas de aula pela Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), que ultrapassou os limites das funções normalmente exercidas pelas entidades sindicais para aproximar a escola de discussões importantes por meio do projeto Aula da Cidadania - que já está em andamento há mais de dez anos.

Agora, nas mãos, os estudantes têm um jornal, editado pela Fetems e elaborado pela agência Íris Comunicação, a partir de um trabalho cuidadoso, que reuniu educadores, especialistas, lideranças indígenas e profissionais envolvidos com a luta pelos direitos dos índios. Em quatro páginas, entre curiosidades e histórias, são apresentadas questões para reflexão, relativas à terra, à saúde, à educação e à diversidade. "Nunca tivemos um instrumento como esse e com tamanha abrangência", lembra o coordenador do Conselho Indigenista Missionário (CIMI-MS), Egon Heck.

O texto do jornal é direto, tem linguagem simples e adaptada ao jeito do jovem se comunicar, e muitas imagens. Fala do branco que acha o índio preguiçoso, do significado da terra e do meio ambiente para os índios, da beleza das aldeias, das dificuldades e de tudo que os povos têm a ensinar para uma sociedade tão cheia de problemas, como a lição da reciprocidade, por exemplo, que mostra que o importante não é acumular, e sim compartilhar. "Começamos por uma abordagem mais geral, mas no futuro vamos lançar outras edições sobre a questão indígena e, aos poucos, vamos aprofundando a discussão", explica a secretária de Políticas Sociais da Fetems, professora Antonia Joana da Silva.

Para o presidente da Federação, professor Jaime Teixeira, as Aulas da Cidadania são um exemplo de responsabilidade socioambiental. "Estamos oferecendo à comunidade escolar informações e conteúdos educativos que possibilitam um novo olhar sobre os problemas contemporâneos", afirma.

No lançamento da Aula da Cidadania , na Escola Estadual Rui Barbosa, no dia 17 de abril, em Campo Grande, aos poucos as crianças e os adolescentes iam demonstrando interesse pelo jornal e colocando suas opiniões. Aos 15 anos, no segundo ano do Ensino Médio, Bárbara Borges de Almeida falava com entusiasmo sobre a discussão. "O assunto é realmente sério e todo mundo tem responsabilidade pelo que os índios passam nas aldeias".

A professora Lúcia Oliveira, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ione Catarina Egídio, conta que um material com conteúdo mais crítico "coloca fogo" nas discussões em sala de aula. "As crianças deixam escapar aquele monte de preconceito que trazem de casa. Perguntam por que os índios não trabalham, se são vagabundos, bêbados. Mas depois de um bom bate-papo todos acabam se encantando com tanta novidade sobre as populações indígenas".

Os estudantes indígenas agradecem

Em 2007, a primeira edição da Aula da Cidadania foi lançada em março, e tratou da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006 para coibir a violência doméstica contra as mulheres, punir os agressores e proteger as vítimas. Neste mês, 50 mil exemplares do jornal sobre a questão indígena foram distribuídos para escolas de todo o Mato Grosso do Sul, com o título "O futuro é de todas as tribos", inclusive para as escolas localizadas nas aldeias do Estado.

A estudante Guarani-Kaiowá, Marta Fernandes, de 16 anos, da aldeia de Caarapó, espera que a discussão ajude a acabar com a discriminação. "Já estudei em escola de branco e não consegui ficar. Todo mundo pensa que a gente é burro só porque é índio. Quem sabe, se eles souberem que a gente só é diferente, que pensa de outra forma, que sofre porque não tem terra, eles não mudem para melhor".

Nos últimos anos, os índios conseguiram avançar na luta por um projeto de educação específico para o estudante indígena, com professores índios e uma metodologia que leve em conta a cultura desses povos. A conquista mais recente ocorreu em Dourados, no Sul do Estado, onde vive a maior parte da população indígena sul-mato-grossense.

Célia Faustino, diretora da Escola Municipal Tengatui Marangatu, localizada na Reserva Guarani de Dourados, destaca como maior vitória o concurso público aberto pela prefeitura para contratação de professores índios. "Foi a primeira vez que o Município abriu vagas específicas para professores indígenas. No ano passado, foram 100 vagas e neste ano vai ter mais", diz a diretora.

 


Núcleo Piratininga de ComunicaçãoVoltar Topo Imprimir Imprimir
 
 NPC - Núcleo Piratininga de Comunicação * Arte: Cris Fernandes * Automação: Micro P@ge