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Por NPC
Miguel Rosseto: Flexibilidade é acabar com direitos conquistados (05.96)

A nova gíria da modernidade neoliberal

Flexibilidade é acabar
com direitos conquistados

O deputado federal Miguel Rosseto, 35, iniciou sua militância na Oposição metalúrgica de São Leopoldo, onde nasceu. Em 1984 ingressou na categoria petroquímica. Foi presidente do sindicato dos petroquímicos, membro da direção executiva da CUT-RS e secretário de políticas sindicais da CUT nacional. Rosseto é presidente da subcomissão de políticas de emprego da Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados, e titular da comissão especial responsável pela análise das propostas de mudanças da CLT. Esta entrevista é sobre este tema.

Claudia Santiago entrevistou Miguel Rosseto

C - Deputado, o que significa flexibilizar direitos trabalhistas?
MR - Flexibilizar, vem de flexível, isto é, aquilo que pode se dobrar, se curvar. Flexibilização dos direitos trabalhistas significa, acima de tudo, acabar com direitos conquistados pelos trabalhadores como a jornada de trabalho, o salário mínimo, a garantia contra a demissão imotivada, os direitos sociais. Isto tudo para tornar a classe trabalhadora mais dócil, mais sujeita à exploração e mais indefesa frente às atitudes patronais.

C - Quais os direitos que o governo quer tirar dos trabalhadores?
MR -
Ainda não existe um projeto acabado de mudanças nos direitos trabalhistas. No entanto, o acordo recentemente firmado entre sindicatos da Força Sindical e a FIESP, e o projeto de Contrato Temporário apresentado pelo Ministro Paulo Paiva, dão uma idéia do tipo de mudanças que o governo quer fazer: tornar ainda mais precária a relação de emprego, facilitar e tornar mais baratas as demissões através do fim do aviso prévio, da multa de 40% do FGTS e da diminuição do percentual do FGTS. Além disso, um conjunto de medidas já tomadas e outras anunciadas, tem por objetivo enfraquecer o poder dos sindicatos e diminuir a capacidade de resistência dos trabalhadores. Falo, por exemplo, do sindicato por empresa.

C - O custo da hora trabalhada no Brasil é muito menor que em outros países, mesmo assim o governo insiste em reduzir encargos trabalhistas.
MR -
A rigor, qualquer comparação dos salários e direitos dos trabalhadores brasileiros com países do 1º mundo e nações mais desenvolvidas da América Latina, mostra a tragédia dos salários em nosso país. Não é por acaso que a distribuição de renda do Brasil está entre as piores do mundo. Esta é uma realidade que os sucessivos governos sempre procuram esconder. Eu diria que o trabalhador brasileiro não pode abrir mão de mais nada, de mais nenhum direito. Se queremos uma nação mais justa, mais desenvolvida é absolutamente necessário distribuir a renda, através de melhores salários e da Reforma Agrária.

C - Qual a relação deste projeto de flexibilização com o projeto político que está sendo implementado no Brasil por Fernando Henrique Cardoso?
MR -
O neoliberalismo significa claramente a transferência de renda dos pobres para os ricos. É um instrumento do capitalismo para a superação de sua crise, iniciada em 1970 e que permanece até hoje. O corte dos direitos dos trabalhadores está no mesmo contexto das Reformas da Constituição já feitas e um movimento coordenado de submissão do conjunto da sociedade aos interesses do capital. Se este processo não for barrado, o custo social para a população vai ser imenso.

C - Como está esta a discussão dos direitos trabalhistas no congresso?
MR -
O projeto que hoje existe é do Contrato Temporário pelo prazo de 2 anos, apresentado pelo governo no dia 29 de março. Haverá, com certeza, pressão para uma rápida votação. Infelizmente, o governo dispõe de maioria na Câmara e no Senado. Mas acima de tudo, cabe ao movimento sindical rejeitar este projeto através da redução da jornada de trabalho, distribuição de renda, Reforma Agrária e garantia das conquistas históricas dos trabalhadores.

C - Como o PT se prepara para enfrentar este debate?
MR -
O PT lançou a Campanha Nacional "Mais e Melhores Empregos", num esforço de mobilização de amplos setores da sociedade para a formulação de desenvolvimento auto-sustentado, soberano e democrático. É necessário, em primeiro lugar, "fechar a fábica de desemprego" . Estamos preparando uma proposta de "Lei de Emprego", contemplando a redução da jornada de trabalho para 38 horas semanais e a coibição das horas-extras, da demissão imotivada e da fraude trabalhista. A proposta prevê, ainda, um sistema único de emprego com gestão tripartite, atuando na esfera da concessão do seguro desemprego, formação profissional e recolocação de mão-de-obra; uma política de comércio internacional que resguarda o mercado e o emprego internos; financiamento públicos voltados às micros e pequenas empresas e às iniciativas de autogestão, condicionados à efetiva geração de novos empregos. O projeto, que incorpora partes importantes da proposta da CUT, aponta um conjunto de políticas capazes de assegurar ao conjunto dos brasileiros o direito ao trabalho sem a diminuição dos direitos sociais.

C - Como o senhor vê este retrocesso nos direitos trabalhistas que está acontecendo no mundo inteiro?
MR - Não são todos os países que vivem a realidade de desemprego e perda de direitos. Poderia citar a Itália, Suécia e Japão como exemplos de países que, através de políticas que privilegiam o emprego, conseguem manter níveis de emprego elevados.

É inegável que a hegemonia neoliberal apresenta uma grave ameaça sobre os direitos dos trabalhadores. Mas temos também exemplos importantes de resistência, como a recente greve na França, que obrigou o governo a recuar em suas propostas de flexibilizar direitos. Vivemos um processo de luta entre capital e trabalho para definir a divisão dos benefícios resultantes dos extraordinários ganhos de produtividade proporcionados pelas novas tecnologias e processos produtivos. A recente vitória de setores mais combativos na disputa pela direção da AFL-CIO nos Estados Unidos é outro indicador neste sentido. No entanto, com certeza teremos um período muito duro, de enormes desafios à nossa frente.


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 NPC - Núcleo Piratininga de Comunicação * Arte: Cris Fernandes * Automação: Micro P@ge