M�dia
Perseguição a Matemático exibida no Fantástico faz parte de uma campanha de exaltação da polícia
Por Vito Giannotti - publicado em 10.5.13

Nada sai por acaso na mídia empresarial. Só acredita no acaso quem acredita em Papai Noel. Então os milhares de tiros no Fantástico de domingo dia 5 de maio não foram mostrados por falta de assunto. Aquela operação, embora tenha recebido alguns comentários com uma criticazinha do Rodrigo Pimentel, levou milhões à aprovação da morte daquele traficante. Reforçou o que está sendo enaltecido a cada instante na novela Salve Jorge: a ação da repressão, seja ela do Exército, da UPP, da Polícia Civil, Militar ou Federal.
Para completar, na noite de quarta, 8 de maior, a novela mostrou uma ação policial no Morro do Alemão com o objetivo de "salvar a vida" de um personagem bonzinho, o mordomo Thompson, que havia sido sequestrado. Policiais dispararam tiros dentro da comunidade e, que alívio, a ação foi bem sucedida. No dia seguinte, o morro acordou em festa, como se nada tivesse acontecido na noite anterior. Como se os moradores não tivessem sido expostos. Ou seja: reforçou a legitimidade da ação violenta da polícia nas favelas do Rio. É claramente a continuidade das cenas e da filosofia da caça ao "Matemático" do Fantástico do dia 5. A finalidade de Salve Jorge e do Fantástico de domingo é a mesma: aprovar a ação repressiva e gerar no povo um sentimento de impotência que leva à paralisia. "Não há o que fazer. A polícia pode tudo" ou, mais ainda, "A polícia está certa, ela garante a ordem e a tranquilidade". E com isso se justifica a ação policial na pré-inauguração do Maracanã, na invasão da aldeia dos índios em volta do mesmo Maracanã, e na remoção dos moradores do Horto Florestal ou da Vila Autódromo. É com novelas, com o Fantástico e centenas de programas policiais como Cidade Alerta que se cria o consenso e se paralisa qualquer reação. O final da novela da Globo é consagrado a um hino à policial federal, linda, simpática, incorruptível, que prende a melhor amiga e é durona até com a filha. Viva a polícia, viva a UPP e quando ela bater nos baderneiros que teimam em protestar, em frente ao Maracanã ou numa greve, ela está certa.
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