Direitos Humanos
Encontrados registros de índios torturados pela ditadura militar
[Por Portal Vermelho – 19.04.2013
] Foi encontrado
recentemente, no Museu do Índio, no Rio de Janeiro, o Relatório Figueiredo, que
estava desaparecido há 45 anos. Com mais de 7 mil páginas preservadas e
contendo 29 dos 30 tomos originais, o texto redigido pelo então procurador
Jader de Figueiredo Correia traz denúncias de caçadas humanas promovidas com
metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de
varíola em povoados isolados e doações de açúcar misturado a esctricnina.
Uma das versões sobre o desaparecimento do material
era de que ele teria sido destruído em um incêndio no Ministério do Interior.
Em 1968, a comissão de inquérito administrativa
produziu a documentação que ficou conhecida como Relatório Figueiredo, uma
referência ao presidente da comissão, o ex-procurador Jader Figueiredo Correia.
Convidado para a função pelo ex-ministro do Interior general Afonso Augusto
Albuquerque Lima, Figueiredo esteve à frente do grupo que, por quase um ano,
percorreu todo o país, em plena ditadura militar, para apurar as denúncias de
crimes cometidos contras a população indígena.
As investigações começaram em 1967 e tiveram como
base comissões parlamentares de inquérito de 1962 e 1963 e denúncias
posteriores de deputados. No total, a expedição percorreu mais de 16 mil
quilômetros, entrevistou dezenas de agentes do Serviço de Proteção aos Índios
(SPI) e visitou mais de 130 aldeias. Jader de Figueiredo e sua equipe
constataram diversos crimes, propuseram a investigação de muitos mais que lhes
foram relatados pelos índios, se chocaram com a crueldade e bestialidade de
agentes públicos.
Em um dos diversos registros brutais de tortura,
um instrumento era bastante utilizado nos postos do SPI, o chamado “tronco”,
descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das
vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As
extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.
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