M�dia
Marco das comunicações é questão de Estado
[Publicado em 26.02.2013 - Por Instituto Telecom]
Principal resolução da I Conferência Nacional de
Comunicação (Confecom), em 2009, o Marco Regulatório das Comunicações segue
ignorado solenemente pelo atual governo. Na semana passada, a declaração do
secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, de que o
debate não seria feito em 2013 porque não havia possibilidade de amadurecer o
tema em ano pré-eleitoral, revoltou a sociedade e deixou clara a omissão do
governo no debate sobre a radiodifusão no país.
Em 2011, Alvarez chegou a afirmar, em seminário
realizado no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, que a proposta para uma
nova regulação seria divulgada para debate pelo Minicom em até 60 dias. Isso
nunca aconteceu.
A verdade é que desde o início da atual
administração o Minicom vem protelando a grande maioria dos temas ligados à
comunicação. Desde a votação do Marco Civil da Internet, a precária situação
das rádios comunitárias, até a apresentação de um novo marco das comunicações.
Tudo vem sendo debatido de forma velada e, muitas vezes, apenas com o
empresariado. Ou simplesmente não entra na pauta governamental.
Mesmo o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL),
criado com a justificativa de fortalecer a Telebrás e democratizar o acesso à
rede, hoje vem atendendo apenas aos interesses privados dos empresários das
telecomunicações. Espaços tão caros à participação civil, como o Fórum Brasil
Conectado, foram minados sem que nem ao menos se criassem novas ferramentas de
diálogo e participação social.
A atual legislação em vigor para as comunicações
brasileiras data de 1962, antes do surgimento da própria internet. Hoje, as
comunicações através da rede de banda larga ou dos veículos de radiodifusão
fazem parte da infraestrutura política e econômica de um país. A grande maioria
das potências mundiais, incluindo países da América Latina como a Argentina,
Venezuela, Equador e Bolívia, não só criaram marcos regulatórios para o setor
como debatem a atualização dos mesmos diante da realidade da convergência.
Todos nós sabemos que este é um debate complexo
que fatalmente mexerá com a estabilidade no Congresso por tocar em interesses
próprios de cada partido. Mas o Marco Regulatório das Comunicações está longe
de ser uma questão de governo. É uma questão de Estado, como foi também a
abolição da escravatura. Ele muda a história do país, transforma a dinâmica e a
correlação de poderes estabelecida pela grande mídia e pelos monopólios das
telecomunicações. É a grande ferramenta na luta pela preservação da diversidade
cultural e direito à expressão e cidadania de qualquer nação. Uma questão
indispensável à evolução do processo democrático brasileiro.
Por tudo isso, a sociedade civil mobilizada
decidiu criar um projeto de iniciativa popular, a exemplo do que aconteceu com
a Lei da Ficha Limpa. Como afirma a nota pública assinada pelo FNDC e por
várias entidades, incluindo o Instituto Telecom: “de nossa parte, seguiremos
lutando. A sociedade brasileira reforçará sua mobilização e sua unidade para
construir um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco
regulatório das comunicações".
Núcleo
Piratininga
de Comunicação
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