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Not�cias do NPC
Curso Brasil de Fato: aula de encerramento debate lutas e desafios políticos para revolução latino-americana

Publicado em 13.11.12 – Por Marina Schneider

Nesta quarta-feira, 14.11, acontece a última do curso Atualidade e Desafio das Lutas na América Latina, promovido pelo Jornal Brasil de Fato, pelo Sindipetro-RJ e pelo NPC (NPC). Este último debate será sobre os desafios políticos para revolução latino-americana e contará com a participação de Marta Hanercker, Gilmar Mauro (MST) e Ricardo Gebrim (Cosulta Popular). O curso acontece na sede do Sindipetro-RJ, no Centro do Rio, às 18h30.


A aula anterior, no dia 31 de outubro, teve como tema as estratégias de intervenção militar, econômica e política dos Estados Unidos na América Latina. Participaram do debate a professora e economista Roberta Traspadini e o jornalista e também professor Igor Fuser. Abordando principalmente a face militar da dominação norte-americana, Igor Fuser apontou que em um mundo que tende a ser multipolar os Estados Unidos se esforçam para manter a hegemonia sobretudo utilizando a força militar. Ele não descartou a força cultural e ideológica do país sobre o restante do mundo, mas destacou que a postura dos Estados Unidos é de militarização da política. “O mundo é encarado a partir de Washington como um grande campo de batalha”, resumiu. Segundo ele, com exceção de Cuba, de forma geral no século XX os EUA mantiveram sua hegemonia em todos os países da América Latina, que teve o papel histórico de abastecer os Estados Unidos com recursos naturais, humanos e mercado consumidor. No entanto, de acordo com o professor o poder foi exercido de forma diferente na América Central e Caribe e na América do Sul. Na primeira região o poder se deu de maneira direta e sem qualquer sutiliza, com invasões e intervenções. Já na América do Sul, devido à distância geográfica e também à força dos Estados Nacionais, o exercício do poder estadunidense aconteceu de forma mais indireta, através de alianças com as elites locais e também com o compartilhamento de ideias e a formação de consensos. “A hegemonia se deu muito mais pelo golpismo nacional com apoio e muitas vezes financiamento dos Estados Unidos”, lembra.

Depois de uma diminuição da hegemonia a partir de meados da década de 90 em virtude de resistências ao neoliberalismo, do afastamento de certos governos da influência norte-americana e, ainda, da resistência cubana, Fuser avalia que recentemente os Estados Unidos têm optado pela estratégia da presença militar direta, construindo pequenas bases na região prontas para serem operadas. O desejo dos Estados Unidos de conter e reverter a instituição de governos progressistas na América Latina também foi abordado pelo professor, que pontuou os países onde isto aconteceu: Paraguai e Honduras (golpes), Chile, Peru e Colômbia (países cujos governos sofrem grande influência dos EUA). A manutenção de governos menos alinhados aos EUA no Brasil, Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela é vista de forma otimista por Fuser, que apontou ainda que Unasur, Celac e Conselho de Defesa Sul-Americano têm ganhado força enquanto a OEA perde.

Viés econômico da dominação dos EUA

Fazendo uma análise da dominação dos Estados Unidos pelo viés da economia política, Roberta Traspadini fez uma retomada do contexto da América Latina na década de 1970, quando se discutia muito a questão do desenvolvimento. Roberta recordou que havia três correntes principais de leituras sobre o tema: a do grupo dos estruturalistas, que acreditava que a industrialização seria a única forma de modernizar a região e superar as desigualdades; a do grupo dos interdependentes, que defendia o uso do capital internacional na industrialização; e a corrente marxista, liderada por Theotônio dos Santos, Vânia Bambirra e Rui Mauro Marini, entre outros, que defendia que é inerente ao capitalismo não permitir a igualdade entre as nações. Este grupo foi muito circulante em toda a América Latina, mas não tanto no Brasil. “Eles pensavam que só seria possível uma integração que fosse integração dos povos e não comercial, que hoje é o que está acontecendo”, lembra Roberta. Para ele, o segundo grupo ainda disputa poder na América Latina. “Eles destituíram [Fernando] Lugo e disputam o Estado brasileiro. O problema é que a gente não consegue visualizar onde eles estão”, alertou.

Mídia comercial não permite conexão entre os povos

Roberta Traspadini ressaltou que a hegemonia econômica dos Estados Unidos e nossa região ainda tem um peso enorme. Segundo ela, 70% do PIB latino-americano é transnacional e 40% do dinheiro que circula nos bancos da região pertencem ao sistema financeiro dos Estados Unidos. Ela avalia que existe certa fragilidade na hegemonia norte-americana, mas que ainda há supremacia dos Estados Unidos em termos culturais – da forma e do conteúdo – e também em termos de capital.  Para a economista, o cotidiano do povo latino-americano é muito perverso e o tempo necessário para se construir a revolução ainda é muito maior do que o que os Estados Unidos precisam para conseguirem se reestruturar. Concluindo sua fala, Renata criticou o fato de o Brasil desconhecer de forma geral o que ocorre na América Latina, principalmente as lutas revolucionárias que ocorrem na região. “Se conectar com os povos em luta não vai ser possível com a mídia comercial, daí a importância do Brasil de Fato. Nossa América já está em ebulição, mas precisa se conectar para conseguir a unidade popular”, ressaltou.



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 NPC - Núcleo Piratininga de Comunicação * Arte: Cris Fernandes * Automação: Micro P@ge