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Primeira aula do curso Atualidade e Desafios das Lutas na América Latina debate ditaduras e lutas pela redemocratização
Publicado em 11.10.12 – Por Marina Schneider, do NPC
Teve início na quarta-feira (10.10) o curso Atualidade
e Desafios das Lutas na América Latina, organizado pelo jornal Brasil de Fato, NPC e Sindipetro. Na
abertura, o coordenador do NPC e membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato, Vito Giannotti, ressaltou
que todos os assuntos que serão abordados durante o curso têm relação com o campo
da comunicação e destacou a necessidade de se criar veículos de esquerda para
disputar hegemonia na sociedade. “Precisamos fazer com que a palavra ‘revolução’
volte à moda. É para isso que serve esse curso”, disse.
Ministrada por Anita Leocádia Prestes e Miguel Trujillo, a
primeira aula teve como tema as Ditaduras na América Latina e as Lutas pela
Redemocratização. Antes do início da exposição deles, membros do
Levante Popular da Juventude fizeram uma performance lembrando vítimas da
repressão da ditadura militar no Brasil.
Abordando principalmente a história brasileira, Anita
resgatou o contexto do golpe de 1964 e afirmou que as esquerdas estavam
divididas em dois campos majoritários: os que apoiavam a luta armada e aqueles
que achavam ser possível combater a ditadura sem o uso de armas. Segundo ela, os
objetivos estratégicos eram os mesmos: a libertação nacional. “Não percebíamos
que o caráter da revolução tinha que ser socialista”, lamentou. Olhando para o presente, Anita criticou a
postura apática do Brasil com relação à punição dos crimes cometidos pelo
Estado durante a ditadura. “Estamos muito atrasados com relação ao Chile e
Argentina, por exemplo, que estão punindo os assassinos”, disse.
Miguel Trujillo tratou do tema de forma um pouco mais ampla,
destacando o poder dos Estados Unidos como potência hegemônica principalmente a partir do
final da 2ª Guerra Mundial. Ele afirmou que o país já realizava intervenções nos
governos latino-americanos antes mesmo da criação da CIA. Trujillo lembrou que a
partir da Revolução Cubana a repressão imperialista aumentou no continente. “As
ditaduras que se criaram na América Latina em boa parte foram reflexos do medo
da classe dominante de que houvesse uma ‘cubanização’ nos outros países”, explicou. Voltando-se para o caso brasileiro, Trujillo
pontuou que o golpe militar atrasou em 40 anos a história do país, agravando
nossos problemas. “Somos herdeiros de um processo capitalista degenerado”,
concluiu.
Após as exposições houve amplo debate entre os
participantes. O curso vai até o dia 14 de novembro e acontece na sede do Sindipetro-RJ, no Centro do Rio. Clique aqui e veja a programação completa.
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