Not�cias do NPC
Livraria Antonio Gramsci se filia à Associação Estadual de Livrarias do Rio
Publicado em 12.04.12 - por AEL-RJ
A mais nova livraria do Centro completa um ano e mostra que segmentação é uma chave do mercado livreiro atual. Batizada em homenagem ao teórico marxista italiano ela é uma livraria de "esquerda plural". "Ninguém imaginaria que poderia haver essa livraria minúscula nesses tempos e ela está se sustentando e divulgando vários livros sobre temas que nos são caros", comemora o italiano Vito Giannotti, há 26 anos no Brasil. Aqui ele já foi metalúrgico e já lançou 20 livros.A Antonio Gramsci fica no fundo da galeria do Teatro Dulcina na Cinelândia e pertence ao Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), que funciona no mesmo edifício e trabalha para melhorar a comunicação de grupos sindicais, coletivos e movimentos comunitários. "O objetivo da livraria é divulgar uma visão de mundo e de valores. Queremos um mundo livre, justo, solidário e qualquer livro que acumular esse sentido é interessante. O nosso objetivo não é econômico, é sóciopolítico.",explica Vito. A divulgação da Gramsci é feita através de um boletim eletrônico do NPC sobre comunicação dos trabalhadores, que existe há 12 anos com cerca de 20 mil endereços. Também há um boletim especial sobre a livraria, divulgado semanalmente. A Gramsci participou da 4ª edição do Roteiro das Livrarias do Centro, da AEL, e tem tido retorno. "Para nós o Roteiro é muito interessante. Tem gente que vem com o mapa na mão, mas ainda podemos melhorar a distribuição dele nos hotéis e escolas das redondezas", diz. Mensalmente a livraria faz um evento que atrai públco médio de 30 pessoas. "Não é uma palestra ou um lançamento. É algo intermediário ao qual demos o nome de Diálogos na Gramsci e convidamos autores para discutirem sua obra com o público." Para mostrar a política da Gramsci, Vito cita a editora Expressão Popular: "Para o livreiro comum ela não é interessante porque vende livros a 12 reais e o lucro que pode dar é muito pequeno. Nela destaco o livro de Alexandra Kollontai: A Nova Mulher e a Moral Sexual". Segundo ele, esse livro tem sido presenteado aos amigos há 40 anos e desde que descobriu uma edição por 12 reais pela Expressão Popular diz já ter "empurrado" a obra para mais de 60 pessoas através da Antõnio Gramsci. "Então a gente cumpre a função de divulgar o que o livreiro gosta independente do aspecto econômico. Acho que uma livraria no mundo de hoje, no mundo da internet tem a sua função muito personalizada" , conclui.
Esquerda plural
Apesar do nome em homenagem ao autor marxista italiano, a Gramsci faz parte de uma "esquerda plural" segundo Vito: "de Florestan Fernandes a Darcy Ribeiro, de Marx a Josué de Castro.Tem até Dom Helder Câmara, que não é nenhum marxista. Mas é um humanista." Mesmo com as mudanças no mercado com as novas tecnologias e grandes redes Vito acha que há um período intermediário em que o livreiro ainda pode exercer sua função de educador, de orientador da leitura. Uma pessoa que dialoga com o gosto de quem chega. Vito Gianotti acha que a AEL, como associação de classe, pode fazer debates sobre temas atuais entre os livreiros. "Qualquer assunto é melhor que deixar as pessoas, frente à televisão, vítimas da Globo. Isso enriquece a cabeça 40 vezes mais que qualquer capítulo de novela".
Livraria Antonio Gramsci Rua Alcindo Guanabara, 17, térreo (ao lado do Teatro Dulcina) telefone: 2220-4623 de 2ª a 6ª, de 10h às 19h. www.piratininga.org.br livraria@piratininga.org.br
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